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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O futuro da esquerda

Por Wladimir Pomar

O fim da civilidade, decretado pela direita tucano-pefelista, neste último mês de campanha, está trazendo à luz pelo menos três aspectos da realidade brasileira.

Primeiro, a natureza reacionária e antidemocrática dos novos representantes políticos da burguesia financeira e da burguesia agrária. Segundo, a oposição de grandes parcelas das camadas populares e das classes médias a tal reacionarismo. E, terceiro, as clivagens da esquerda diante dessa polarização.

A nova direita política é, em grande parte, formada por parcelas oriundas da intelectualidade política democrática e de esquerda que se defrontou com a ditadura militar. No curso da emergência das lutas operárias e populares e da formação do PT, assim como da ofensiva ideológica e política do neoliberalismo, muitos de seus membros se transformaram no oposto do que representaram no passado.

Com isso, repetem uma experiência histórica peculiar da esquerda brasileira, que teve em Carlos Lacerda seu expoente mais significativo. Quem conheceu esse personagem da história brasileira certamente se lembrou dele ao assistir ao candidato Serra deblaterando sobre a suposta tolerância de Lula com “quem rouba”, e qualificando a candidata Dilma de “envelope fechado”. A grande desvantagem de Serra é que não tem a oratória de Lacerda, nem um ambiente de conspiração militar generalizada. Mas a natureza golpista e reacionária é a mesma.

Essa truculência tucano-pefelista também está colocando em evidência algo que uma parte da esquerda se nega a ver. Isto é, que grandes massas do povo brasileiro consideram as atuais eleições como um acerto de contas com a herança de FHC e depositam uma firme confiança em Lula e no PT. Ou seja, além de encararem as atuais eleições como polarizadas e plebiscitárias, grandes parcelas do povo estão convictas de que as mudanças implantadas pelo governo Lula, mesmo contendo erros e problemas, relacionados ou não com suas alianças políticas, apontam para um caminho seguro de transformação social e política.

Uma parte da chamada esquerda democrática se encontra perdida na enseada tucano-pefelista, sem se dar conta de que está dormindo com o inimigo. É doloroso ver candidatos dessa esquerda, com discursos de mudanças democráticas e populares, sendo apresentados por FHC, Serra, César Maia e outros personagens que quase quebraram o Brasil e levaram o povão ao desemprego e à miséria.

A parte da esquerda que se considera revolucionária está na oposição. Embora procure se distanciar da direita que também é oposição, seu inimigo principal e alvo de seus ataques tem sido o governo Lula e a esquerda que apóia Dilma. Na prática, o povão acaba confundindo-a com seus inimigos de direita.

A maior parte da esquerda, que apóia Dilma, também se debate diante da realidade complexa do país. Isto parece ser mais evidente dentro do PT, onde havia uma corrente que pregava abertamente a impossibilidade de uma eleição polarizada e trabalhava para construir pontes com o tucanato. A evolução da campanha eleitoral, apesar da ausência de ataques petistas ao tucanato, está demonstrando que aquela corrente estava totalmente enganada, pelo desconhecimento da natureza antidemocrática e reacionária do tucano-pefelismo.

Também é dentro do PT que continuam se apresentando brechas relacionadas com a tibieza em adotar procedimentos ideológicos, políticos e organizativos condizentes com um partido de esquerda que quer transformar o Estado e a sociedade. Um partido desse tipo não pode ter aloprados, filiados facilmente cooptáveis por dinheiro fácil, nem agentes infiltrados que possam navegar tranqüilamente por suas fileiras. Se o PT não adotar procedimentos que o blindem contra os arrivistas e oportunistas que procuram fazer carreira em qualquer partido que seja governo, aquelas brechas podem se tornar voçorocas, deixando-o indefeso diante das armações que tendem a crescer nas disputas institucionais.

Nessas condições, a vitória do PT e Dilma não representará apenas um acerto de contas com a ideologia e as políticas neoliberais, condensadas na candidatura Serra. Nem apenas um impacto muito sério na esquerda que se aliou à direita, formal ou informalmente, nos ataques ao governo Lula e à candidatura Dilma. Ela deverá representar também uma reestruturação ideológica, política e organizativa do PT, se esse partido quiser enfrentar com sucesso os desafios para aprofundar as mudanças democráticas, econômicas e sociais que as camadas populares reclamam.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

In: http://pagina13.org.br/?p=4174

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dando um tempo

Quero agradecer as visitas que meu blog vem recebendo. Devo dizer que não esperava tanta receptividade em tão pouco tempo entre os que concordam e discordam das idéias que aqui exponho. Já vinha rareando as postagens por conta do pouco tempo que disponho e, exatamente por isso, resolvi cessar por algum tempo as publicações. Logo que voltar a escrever, espero que isso seja o mais breve possível, certamente darei um jeito de te avisar. Mais uma vez, o meu muito obrigado.

sábado, 24 de julho de 2010

Atenção e canja de galinha não fazem mal a ninguém

Dentro das regras do jogo de uma democracia que não é democrática nenhuma ou pouquíssimas mudanças podem ser operadas. A eleição de Barack Obama, em meio à maior crise do modo capitalista de produção desde 1929 indica ao mesmo tempo desgaste do liberalismo econômico e domesticação das tentativas de modificação, mesmo que nos moldes do capitalismo. Para os Republicanos aliados de Bush Obama é um socialista.

Pensando no lobby, atividade legal nos EUA, realizado pela indústria bélica junto à secretaria de defesa do governo estadunidense lembra-se do que canta Renato Russo em A canção do Senhor da Guerra: “a guerra gera emprego, aumenta a produção (...) sempre avança a tecnologia” de modo que, sempre a guerra é alternativas às crises econômicas.

Atualmente, o Império do Norte, mesmo que não tenha mais força para impor a pax americana encontra-se em empreendimento bélico no Médio Oriente contra o “terrorismo”, ensaia exercícios perto da Coréia contra atrevimentos “nucleares” e certamente pode voltar-se para a América Latina contra as “drogas”, mas sempre garantindo mercados, sem aspas. Afinal, alguém acha que os nossos recursos naturais, entre eles os hídricos, não seriam transformados também em mercadorias? Espero que os privatizadores do PSDB e seus sucursais do PV não nos governem para que tenhamos um tira teima.

Como ele advinhou?

Ontem o instituto Vox Populi divulgou pesquisa em que a Dilma aparece com 41% e o Serra com 33%, ou seja, 8 pontos percentuais de diferença. Em seu portal o jornalista Paulo Henrique Amorim antecipava que Serra iria reagir, no Datafolha. E eis o que disse PHA:

"O Jornal da Band divulgou pesquisa da Vox Populi.

Dilma está na frente: 41 a 33.

Serra não sai dos 30% desde 2002.

Na espontânea, ou seja, quando o entrevistado toma a iniciativa de dizer em quem vai votar, Dilma ganha de 28% a 21%.

O candidato mais “rejeitado” é jenio.

Mas, isso vale por um dia.

Serra vai reagir de hoje para amanhã.

O Datafolha mostrará que Serra, na verdade, já ganhou a eleição.

É o que o Serra chama de “empate técnico”.

Aliás, para o Datafolha e o Globope o Serra já ganhou a eleição desde 2002".

E bingo!

"Em menos de 24 horas, o jenio reagiu.

Na sexta-feira à noite, ele sofria uma derrota acachapante de 41 a 33 – Dilma bate Serra por oito pontos, mas Serra vai reagir no Datafalha.

No sábado de manhã, a Folha (*) registra o tal “empate técnico” entre Dilma e Serra.

(...)

Trata-se de um fenômeno extraordinário.

Em menos de 24 horas a opinião pública brasileira joga fora oito pontos percentuais de diferença.

O que terá havido no intervalo entre o Vox e a Datafalha ?

O
ovo dirigido ao Serra no Mercado Municipal de Florianópolis ?

O processo que o
Fernando Pimentel vai mover contra ele por causa das FARC ?

A escolha do Mano Menezes ?

O Stallone ?

O William Waack ?"

In: http://www.conversaafiada.com.br/

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O que será que será?

O presidente venezuelano Hugo Chávez acaba de romper relações diplomáticas com a Colômbia após acusação de seu presidente, o direitista Álvaro Uribe, durante reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) de que a Venezuela apóia e esconde guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Não é novidade, vide Bush em 2001, que a escolha ou identificação de um inimigo externo serve para arregimentar ou dar coesão às forças internas. No caso de Uribe, em fim de mandato, é uma tentativa de permanecer relevante na política colombiana e continuar aglutinando o grupo social conservador que o deu apoio durante seu mandato.

Outro elemento depreendido da duvidosa acusação colombiana é o alinhamento com a política externa dos Estados Unidos. Os Yankees não só puseram a IV Frota em movimento no Atlântico Sul, como têm instaladas na Colômbia bases militares sobre o pretexto de combater o narcotráfico.

No Brasil, o presidenciável neoliberal José Serra fez acusações à Bolívia, de que ela permite a entrada em nosso país de grande parte das drogas ilícitas aqui consumidas. Será que ele vai sugerir bases militares do Brasil na Bolívia também? Porque, conclui Serra, o Brasil tem sido complacente com a leniência do governo boliviano com os negócios brasileiros naquele país e que é um erro o BNDES está investindo no país de Evo Morales.

Somem-se a isso as recentes declarações do vice-presidenciável na chapa de Serra, o deputado federal pela UDN-ARENA-PDS-PFL-DEM do Rio de Janeiro, Índio da Costa, mais conhecido como o famoso quem, de que o PT tem ligação com as FARC lá na Colômbia.

Levando em conta a terceira lei de Newton, a direita em nosso continente reage, não deixando dúvidas de que o atual momento político é de polarização. Há muito em jogo, já que uma América Latina majoritariamente progressista interfere positivamente em toda política internacional, apresentando alternativas ambientais, econômicas e sociais às demais partes do globo e fortalecendo os laços SUL-SUL, entre os países do hemisfério mais fragilizado na ordem capitalista.

A vitória da candidatura de Dilma Rousseff, que tem apoio declarado de Hugo Chávez, é de fundamental importância para acuar as forças neoliberais e permitir o avanço do campo democrático e popular, no Brasil e na América Latina.

É por isso que desconfio quando encontro alguém de "esquerda" concordando com o PSDB/DEMO/PPS, Veja, Globo, Estadão e Folha de SP. Ah! Esqueci do Boris Casoy que foi do Comando Caça aos Comunistas na juventude. Esse é a cara da direita.